Entrevistas
Entrevista realizada com Mário Sérgio de Moraes (vide anexo Foto 2) no dia 03 de Novembro de 2008.
Filho de uma família politizada e estudioso dedicado, o historiador Mário Sérgio de Moraes, 56, lançou recentemente a “História da Imigração Japonesa em Mogi das Cruzes” e planeja escrever um livro que conte a história de Mogi das Cruzes – seu presente para a cidade. Ainda no prelo, mas a ser impresso neste ano, a publicação “Desarquivando a Ditadura Militar”, do grupo LEI - Laboratório de Estudo da Intolerância, da USP, terá um capítulo seu. Nasceu em Jacareí-SP, fez sua graduação, mestrado e doutorado em História pela USP. Veio para Mogi na década de 70 para lecionar na UBC. Professor universitário exerce a profissão há 33 anos e, tem orgulho de passar seu conhecimento para as novas gerações. Desde seu primeiro trabalho, sempre atuou como professor. Atualmente leciona na USP, FAAP e UMC, nesta última há 26 anos.
1-Como você definiria o papel da Pornochanchada no cinema Brasileiro na
Década de 70?
A sociedade vivia numa ferrenha de uma ditadura, onde a censura era um fato e todos os meios de comunicação passavam por um crivo governamental. Isso significou a morte do Cinema Novo. Para que a indústria cinematográfica dentro daquele contexto pudesse sobreviver, foi preciso buscar inspiração dentro do que era chamado antigamente de ‘’ A Boca do Lixo’’, com roteiros extremamente estereotipados, ex: ‘’O Veado’’, ‘’A loira burra’’, ‘’O jovem meio cafajestinho’’. Esses tipos de roteiros eram feitos para que houvesse de certa maneira, muito maior comunicação com o público.
2-Qual a importância desse gênero da análise diacrônica do cinema do Brasil?
Esse cinema revelou grandes artistas da atualidade, como Nuno Leal Maia, Vera Fischer, Sílvio de Abreu, etc. Possibilitou também, a sobrevivência de inúmeros roteiristas da época. Dessa maneira, concluo que esse gênero foi uma fase de transição do cinema brasileiro. Embora, não tenha sido como estilo o melhor do cinema no Brasil. É completamente diferente da chamada ‘’chanchada’’, do chamado ‘’Cinema Novo’’. Mas, era aquilo que na época era possível, isto é, que estava ao alcance dos produtores de cinema.
3-Teria sido a Pornochanchada um signo de liberação sexual de homens e mulheres brasileiros?
Não, pois muito antes do surgimento da Pornochanchada, mais precisamente na década de 60, marcada pelo surgimento dos hippies, Rolling Stones, estilos de vida alternativos, já se discutia a liberdade sexual, etc. Dessa forma, a Pornochanchada não é um Cinema de libertação, ela é ‘’Mercadoria’’, ou seja, ‘’Produto’’. Já que seu objetivo, não era questionar formas alternativas de existência. Por outro lado, a sensualidade começou a ser mais exposta a partir de filmes de Pornochanchada, a mulher passou a ser vista como um objeto de desejo, e não mais como uma pessoa que tenha direitos.
Igualmente importante, nunca as pessoas tiveram tantas relações sexuais como na década de 70, mas isso não está diretamente ligado ao sensualismo mostrado na Pornochanchada, pois ela era como muitos não sabem extremamente conservadora e como ideologia, era moralista. Um exemplo disso é a forma como os gays eram mostrados nos filmes, da maneira mais caricatural e grotesca possível.
4-Você eliminaria da análise histórica do cinema brasileiro, o surgimento da Pornochanchada? Justifique sua resposta.
De jeito nenhum. Porque ela representa um passo na indústria cinematográfica brasileira. E foi na época da ditadura uma válvula de escape para atores, atrizes e roteiristas. Grande parte dos ótimos artistas da atualidade e também de grande peso dramatúrgico, trabalhara no Cinema da Boca do Lixo, já que era impossível naquela época fugir desse padrão, pois eles tinham que sobreviver de alguma forma.
5-Qual é a sua visão da Pornochanchada na década de 70, e atualmente como comunicólogo e historiador?
Eu particularmente não gostava. Aliás, o Cinema da Pornochanchada na época era muito censurado. Era ridículo, pois era pré-primário ou pré- erótico. Não chegava a ser erótico, pois havia todo um contexto nos filmes, e o filme é erótico quando é mostrada a sensualidade nua e crua. Portanto, era um cinema erótico precário.
Atualmente, eu dou mais importância a Pornochanchada do que eu dava antes, pois ela permitiu algo que nem o Cinema Novo conseguiu: público. Foi uma fase importante para os jovens que hoje têm a tecnologia disponível, excelentes roteiros que antes não tinham, para que possam encontrar uma linguagem como já estão encontrando de revalorizar o cinema brasileiro e o público é muito importante pra isso. Contudo, a Pornochanchada valorizava o público e o massificou algo para o qual o Cinema Novo não dava muito importância, já que era mais elitizado.
Entrevista realizada com Mário Sérgio de Moraes (vide anexo Foto 2) no dia 03 de Novembro de 2008.
Filho de uma família politizada e estudioso dedicado, o historiador Mário Sérgio de Moraes, 56, lançou recentemente a “História da Imigração Japonesa em Mogi das Cruzes” e planeja escrever um livro que conte a história de Mogi das Cruzes – seu presente para a cidade. Ainda no prelo, mas a ser impresso neste ano, a publicação “Desarquivando a Ditadura Militar”, do grupo LEI - Laboratório de Estudo da Intolerância, da USP, terá um capítulo seu. Nasceu em Jacareí-SP, fez sua graduação, mestrado e doutorado em História pela USP. Veio para Mogi na década de 70 para lecionar na UBC. Professor universitário exerce a profissão há 33 anos e, tem orgulho de passar seu conhecimento para as novas gerações. Desde seu primeiro trabalho, sempre atuou como professor. Atualmente leciona na USP, FAAP e UMC, nesta última há 26 anos.
1-Como você definiria o papel da Pornochanchada no cinema Brasileiro na
Década de 70?
A sociedade vivia numa ferrenha de uma ditadura, onde a censura era um fato e todos os meios de comunicação passavam por um crivo governamental. Isso significou a morte do Cinema Novo. Para que a indústria cinematográfica dentro daquele contexto pudesse sobreviver, foi preciso buscar inspiração dentro do que era chamado antigamente de ‘’ A Boca do Lixo’’, com roteiros extremamente estereotipados, ex: ‘’O Veado’’, ‘’A loira burra’’, ‘’O jovem meio cafajestinho’’. Esses tipos de roteiros eram feitos para que houvesse de certa maneira, muito maior comunicação com o público.
2-Qual a importância desse gênero da análise diacrônica do cinema do Brasil?
Esse cinema revelou grandes artistas da atualidade, como Nuno Leal Maia, Vera Fischer, Sílvio de Abreu, etc. Possibilitou também, a sobrevivência de inúmeros roteiristas da época. Dessa maneira, concluo que esse gênero foi uma fase de transição do cinema brasileiro. Embora, não tenha sido como estilo o melhor do cinema no Brasil. É completamente diferente da chamada ‘’chanchada’’, do chamado ‘’Cinema Novo’’. Mas, era aquilo que na época era possível, isto é, que estava ao alcance dos produtores de cinema.
3-Teria sido a Pornochanchada um signo de liberação sexual de homens e mulheres brasileiros?
Não, pois muito antes do surgimento da Pornochanchada, mais precisamente na década de 60, marcada pelo surgimento dos hippies, Rolling Stones, estilos de vida alternativos, já se discutia a liberdade sexual, etc. Dessa forma, a Pornochanchada não é um Cinema de libertação, ela é ‘’Mercadoria’’, ou seja, ‘’Produto’’. Já que seu objetivo, não era questionar formas alternativas de existência. Por outro lado, a sensualidade começou a ser mais exposta a partir de filmes de Pornochanchada, a mulher passou a ser vista como um objeto de desejo, e não mais como uma pessoa que tenha direitos.
Igualmente importante, nunca as pessoas tiveram tantas relações sexuais como na década de 70, mas isso não está diretamente ligado ao sensualismo mostrado na Pornochanchada, pois ela era como muitos não sabem extremamente conservadora e como ideologia, era moralista. Um exemplo disso é a forma como os gays eram mostrados nos filmes, da maneira mais caricatural e grotesca possível.
4-Você eliminaria da análise histórica do cinema brasileiro, o surgimento da Pornochanchada? Justifique sua resposta.
De jeito nenhum. Porque ela representa um passo na indústria cinematográfica brasileira. E foi na época da ditadura uma válvula de escape para atores, atrizes e roteiristas. Grande parte dos ótimos artistas da atualidade e também de grande peso dramatúrgico, trabalhara no Cinema da Boca do Lixo, já que era impossível naquela época fugir desse padrão, pois eles tinham que sobreviver de alguma forma.
5-Qual é a sua visão da Pornochanchada na década de 70, e atualmente como comunicólogo e historiador?
Eu particularmente não gostava. Aliás, o Cinema da Pornochanchada na época era muito censurado. Era ridículo, pois era pré-primário ou pré- erótico. Não chegava a ser erótico, pois havia todo um contexto nos filmes, e o filme é erótico quando é mostrada a sensualidade nua e crua. Portanto, era um cinema erótico precário.
Atualmente, eu dou mais importância a Pornochanchada do que eu dava antes, pois ela permitiu algo que nem o Cinema Novo conseguiu: público. Foi uma fase importante para os jovens que hoje têm a tecnologia disponível, excelentes roteiros que antes não tinham, para que possam encontrar uma linguagem como já estão encontrando de revalorizar o cinema brasileiro e o público é muito importante pra isso. Contudo, a Pornochanchada valorizava o público e o massificou algo para o qual o Cinema Novo não dava muito importância, já que era mais elitizado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário