Anexo Texto 2
Pornochanchadas dos anos 70 voltam em trilha fictícia em 14-01-2005
O músico Che lança CD em homenagem as trilhas sonoras das pornochancahdas dos anos 70.
Sacanagem é coisa fina. Pelo menos na trilha sonora fictícia criada por Che, pseudônimo de Alexandre Caparroz, no CD "Sexy 70". Com o subtítulo de "music inspired by the brazilian sacanagem movies from the 1970s", o álbum traz um punhado de temas instrumentais que funcionam como uma "homenagem musical" à verdadeira era de ouro do cinema brasileiro, os doces anos das pornochanchadas.
A idéia nasceu há cerca de um ano como um plano para uma compilação de músicas tiradas dos filmes originais -plano esse impossibilitado pela dificuldade em se localizar todos os autores e músicos e pela inexistência dos tapes originais. A evolução do projeto para a criação de temas próprios inspirados nas antigas trilhas surgiu naturalmente.
"A idéia é que cada música seja a trilha sonora de uma pornochanchada fictícia", explica o compositemas muito definidos, era mais música de fundo, trechos, mas com momentos musicais interessantíssimos, com um clima temas muito definidos, era mais música de fundo, trechos, mas com momentos musicais interessantíssimos, com um clima muito particular. A minha intenção foi exatamente homenagear alguns desses momentos e dessas trilhas", destaca.
Com títulos citando explicitamente alguns desses filmes e/ou suas respectivas musas, o CD traz a recriação perfeita do clima da época, de sacanagem light. Um dos pontos altos do disco é a participação dos atores Paulo César Pereio e Helena Ramos, importados diretamente da lembrança de montes de marmanjos que aprenderam muito sobre a vida nas sextas-feiras à noite da TV Record, quando passava o clássico programa "Sala Especial".
Caparroz teve a idéia, escreveu frases e diálogos que seriam das tais pornochanchadas fictícias e convidou os dois atores para relembrarem seus tempos áureos. Os resultados foram frases como "sobe aí que eu te levo pra tomar um sorvete", ditas com o máximo de safadeza possível. "O Pereio adorou, mas quis ouvir as músicas antes. Ele se interessa, quer saber do que se trata e entende bastante de música. A Helena chegou dizendo que não imaginava ser musa e símbolo sexual e achando o texto um pouco pesado, mas quando eu apertei o "rec", a primeira coisa que ela fez foi soltar um gemido suspirado, depois ela entrou totalmente no espírito."
Tocando quase todos os instrumentos, Caparroz cita como referência jazzistas "sérios", como Ramsey Lewis, Milt Jackson e Bobby Timmons ("pelo groove"), além de Burt Bacharach ("pela sonoridade") e, claro, compositores de trilhas sonoras, como Henry Mancini e Ennio Morricone.
Com melodias levadas pelo vibrafone, baterias jazzísticas, trombones, sintetizadores antigos, órgãos e algumas programações, o som é capaz de lembrar ao mesmo tempo as divertidas trilhas dos anos 70 e projetos eletrônicos modernos, como Thievery Corporation. "Revitalizar é uma coisa, copiar exatamente o som é outra. Quis fazer música que soasse retrô, mas que fosse moderna", diz o músico.
Tornadas cult hoje, as pornochanchadas surgiram como válvula de escape do moralismo e da ditadura dos anos 70 e eram produzidas, em sua maioria, na Boca do Lixo de São Paulo, trazendo uma mistura de erotismo e comédia que arrastou multidões aos cinemas.
"Uma das coisas que mais me interessaram nessa idéia toda foi o fato de esses filmes não serem coisa pra ser levada a sério. Era um cinema de entretenimento, não adianta teorizar em cima. E o mesmo vale para o disco, é para ouvir e se divertir. O próprio conteúdo erótico obviamente não é sério, é de uma tremenda ingenuidade, como os filmes. O mais importante para mim era a memória. Qualquer um com mais de 30 anos se lembra do Pereio falando "eu te amo, porra!', conclui.
Fonte: Folha de São Paulo/ Ronaldo Evangelista/ 14 de Janeiro de 2005
Pornochanchadas dos anos 70 voltam em trilha fictícia em 14-01-2005
O músico Che lança CD em homenagem as trilhas sonoras das pornochancahdas dos anos 70.
Sacanagem é coisa fina. Pelo menos na trilha sonora fictícia criada por Che, pseudônimo de Alexandre Caparroz, no CD "Sexy 70". Com o subtítulo de "music inspired by the brazilian sacanagem movies from the 1970s", o álbum traz um punhado de temas instrumentais que funcionam como uma "homenagem musical" à verdadeira era de ouro do cinema brasileiro, os doces anos das pornochanchadas.
A idéia nasceu há cerca de um ano como um plano para uma compilação de músicas tiradas dos filmes originais -plano esse impossibilitado pela dificuldade em se localizar todos os autores e músicos e pela inexistência dos tapes originais. A evolução do projeto para a criação de temas próprios inspirados nas antigas trilhas surgiu naturalmente.
"A idéia é que cada música seja a trilha sonora de uma pornochanchada fictícia", explica o compositemas muito definidos, era mais música de fundo, trechos, mas com momentos musicais interessantíssimos, com um clima temas muito definidos, era mais música de fundo, trechos, mas com momentos musicais interessantíssimos, com um clima muito particular. A minha intenção foi exatamente homenagear alguns desses momentos e dessas trilhas", destaca.
Com títulos citando explicitamente alguns desses filmes e/ou suas respectivas musas, o CD traz a recriação perfeita do clima da época, de sacanagem light. Um dos pontos altos do disco é a participação dos atores Paulo César Pereio e Helena Ramos, importados diretamente da lembrança de montes de marmanjos que aprenderam muito sobre a vida nas sextas-feiras à noite da TV Record, quando passava o clássico programa "Sala Especial".
Caparroz teve a idéia, escreveu frases e diálogos que seriam das tais pornochanchadas fictícias e convidou os dois atores para relembrarem seus tempos áureos. Os resultados foram frases como "sobe aí que eu te levo pra tomar um sorvete", ditas com o máximo de safadeza possível. "O Pereio adorou, mas quis ouvir as músicas antes. Ele se interessa, quer saber do que se trata e entende bastante de música. A Helena chegou dizendo que não imaginava ser musa e símbolo sexual e achando o texto um pouco pesado, mas quando eu apertei o "rec", a primeira coisa que ela fez foi soltar um gemido suspirado, depois ela entrou totalmente no espírito."
Tocando quase todos os instrumentos, Caparroz cita como referência jazzistas "sérios", como Ramsey Lewis, Milt Jackson e Bobby Timmons ("pelo groove"), além de Burt Bacharach ("pela sonoridade") e, claro, compositores de trilhas sonoras, como Henry Mancini e Ennio Morricone.
Com melodias levadas pelo vibrafone, baterias jazzísticas, trombones, sintetizadores antigos, órgãos e algumas programações, o som é capaz de lembrar ao mesmo tempo as divertidas trilhas dos anos 70 e projetos eletrônicos modernos, como Thievery Corporation. "Revitalizar é uma coisa, copiar exatamente o som é outra. Quis fazer música que soasse retrô, mas que fosse moderna", diz o músico.
Tornadas cult hoje, as pornochanchadas surgiram como válvula de escape do moralismo e da ditadura dos anos 70 e eram produzidas, em sua maioria, na Boca do Lixo de São Paulo, trazendo uma mistura de erotismo e comédia que arrastou multidões aos cinemas.
"Uma das coisas que mais me interessaram nessa idéia toda foi o fato de esses filmes não serem coisa pra ser levada a sério. Era um cinema de entretenimento, não adianta teorizar em cima. E o mesmo vale para o disco, é para ouvir e se divertir. O próprio conteúdo erótico obviamente não é sério, é de uma tremenda ingenuidade, como os filmes. O mais importante para mim era a memória. Qualquer um com mais de 30 anos se lembra do Pereio falando "eu te amo, porra!', conclui.
Fonte: Folha de São Paulo/ Ronaldo Evangelista/ 14 de Janeiro de 2005
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