Entrevista realizada com Luciano Ramos no dia 03 de Novembro de 2008.
Luciano Ramos é sociólogo e jornalista. Dedica-se à difusão do conhecimento histórico desde 1970, quando escrevia e apresentava programas de História na Rádio e Televisão Cultura de São Paulo.
Na década de 1980, publicou duas coleções de livros didáticos de História Geral e do Brasil, além de redigir roteiros e coordenar a criação da série Telecurso Segundo Grau, para a Fundação Roberto Marinho. Na TV Globo, foi roteirista do Caso Verdade: A Padroeira, entre outros programas seriados.
Na década de 1990, coordenou as atividades de Comunicação Social no Ministério da Cultura e publicou obras de divulgação histórica, como Os Reinos Bárbaros, pela Editora Ática, e A Origem do Culto à Senhora Aparcida, pela Paulinas Editora.
1-Como você definiria a importância da Pornochanchada no cinema brasileiro na década de 70?
A Pornochanchada caracteriza a produção do cinema brasileiro daquela época. A modalidade mais comum era a comédia erótica e era direcionada a grande massa.
Essa época também é marcada pela produção em grande quantidade dos filmes desse gênero, cujos principais diretores e empresas de pequeno e médio porte, tinham como ponto de encontro e produção de filmes a Rua do Triunfo, que foi onde surgiu o Cinema da Boca.
2- Quais aspectos negativos a Pornochanchada atribuiu ao cinema brasileiro?
Havia naquela época a cota de tela, que obrigava todos os produtores de cinema, a exibirem certa quantidade de filmes de Pornochanchada. A Embrafilme, que era uma importante empresa da época, não apoiava ou investia na Pornochanchada, como muitos acham. Pelo contrário, apoiava mais filmes históricos, voltados para a realidade daquele tempo, mas era ao mesmo tempo obrigada a exibir filmes de Pornochanchada, devido à reserva de mercado, ou a cota de tela. Como conseqüência da cota de tela, a produção desses filmes, aumentou surpreendentemente. À medida que crescia a produção desses filmes, crescia o público. Porém, quando acabou a Embrafilme (logo após o término da censura no cinema), acabou a Pornochanchada. Pois, o público poderia ver filmes eróticos, mais apimentados, que eram exportados, ao invés de continuar vendo filmes pré- eróticos, que era o caso dos filmes da época.
3- Qual é a sua visão da Pornochanchada na década de 70, e atualmente como crítico de cinema?
Naquela época, quando jovem eu odiava os filmes de Pornochanchada, pois achava que eram chatos, e também por causa da obrigatoriedade dos cinemas em exibir esse tipo de filme, não tinha outras opções de filmes, isto é, era obrigado a assistir sempre o mesmo estilo de filmes. Lembro-me que eu costumava a tirar sarro e fazer piadas dos atores e dos filmes da época. Certa vez, tirei sarro da atriz Vera Fischer em um filme que ela aparecia meio gordinha, dizendo que ela iria participar de um dos concursos em que a criança mais gordinha, ganhava um prêmio.
Em contraste, hoje como crítico de cinema tenho um visão totalmente diferente da Pornochanchada. Pois, depois de estudar e analisar toda a sua história e importância, eu a vejo como um fenômeno curioso, com detalhes engraçados e que faz parte da cultura brasileira.
4-Você eliminaria da análise diacrônica do cinema brasileiro, o surgimento da Pornochanchada? Justifique sua resposta.
Não. Pois, hoje ao estudar o fenômeno e o impacto que a Pornochancha foi para o cinema brasileiro, reconheço a importância que ela teve para o mesmo, e que também faz parte da nossa cultura, pois foi uma característica dela na época. Além do mais, atualmente há grandes diretores e atores que começaram suas carreiras atuando no Cinema da Boca do Lixo, um exemplo deles é o Sílvio de Abreu.
Luciano Ramos é sociólogo e jornalista. Dedica-se à difusão do conhecimento histórico desde 1970, quando escrevia e apresentava programas de História na Rádio e Televisão Cultura de São Paulo.
Na década de 1980, publicou duas coleções de livros didáticos de História Geral e do Brasil, além de redigir roteiros e coordenar a criação da série Telecurso Segundo Grau, para a Fundação Roberto Marinho. Na TV Globo, foi roteirista do Caso Verdade: A Padroeira, entre outros programas seriados.
Na década de 1990, coordenou as atividades de Comunicação Social no Ministério da Cultura e publicou obras de divulgação histórica, como Os Reinos Bárbaros, pela Editora Ática, e A Origem do Culto à Senhora Aparcida, pela Paulinas Editora.
1-Como você definiria a importância da Pornochanchada no cinema brasileiro na década de 70?
A Pornochanchada caracteriza a produção do cinema brasileiro daquela época. A modalidade mais comum era a comédia erótica e era direcionada a grande massa.
Essa época também é marcada pela produção em grande quantidade dos filmes desse gênero, cujos principais diretores e empresas de pequeno e médio porte, tinham como ponto de encontro e produção de filmes a Rua do Triunfo, que foi onde surgiu o Cinema da Boca.
2- Quais aspectos negativos a Pornochanchada atribuiu ao cinema brasileiro?
Havia naquela época a cota de tela, que obrigava todos os produtores de cinema, a exibirem certa quantidade de filmes de Pornochanchada. A Embrafilme, que era uma importante empresa da época, não apoiava ou investia na Pornochanchada, como muitos acham. Pelo contrário, apoiava mais filmes históricos, voltados para a realidade daquele tempo, mas era ao mesmo tempo obrigada a exibir filmes de Pornochanchada, devido à reserva de mercado, ou a cota de tela. Como conseqüência da cota de tela, a produção desses filmes, aumentou surpreendentemente. À medida que crescia a produção desses filmes, crescia o público. Porém, quando acabou a Embrafilme (logo após o término da censura no cinema), acabou a Pornochanchada. Pois, o público poderia ver filmes eróticos, mais apimentados, que eram exportados, ao invés de continuar vendo filmes pré- eróticos, que era o caso dos filmes da época.
3- Qual é a sua visão da Pornochanchada na década de 70, e atualmente como crítico de cinema?
Naquela época, quando jovem eu odiava os filmes de Pornochanchada, pois achava que eram chatos, e também por causa da obrigatoriedade dos cinemas em exibir esse tipo de filme, não tinha outras opções de filmes, isto é, era obrigado a assistir sempre o mesmo estilo de filmes. Lembro-me que eu costumava a tirar sarro e fazer piadas dos atores e dos filmes da época. Certa vez, tirei sarro da atriz Vera Fischer em um filme que ela aparecia meio gordinha, dizendo que ela iria participar de um dos concursos em que a criança mais gordinha, ganhava um prêmio.
Em contraste, hoje como crítico de cinema tenho um visão totalmente diferente da Pornochanchada. Pois, depois de estudar e analisar toda a sua história e importância, eu a vejo como um fenômeno curioso, com detalhes engraçados e que faz parte da cultura brasileira.
4-Você eliminaria da análise diacrônica do cinema brasileiro, o surgimento da Pornochanchada? Justifique sua resposta.
Não. Pois, hoje ao estudar o fenômeno e o impacto que a Pornochancha foi para o cinema brasileiro, reconheço a importância que ela teve para o mesmo, e que também faz parte da nossa cultura, pois foi uma característica dela na época. Além do mais, atualmente há grandes diretores e atores que começaram suas carreiras atuando no Cinema da Boca do Lixo, um exemplo deles é o Sílvio de Abreu.
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